A apicultura, especialmente a criação de abelhas italianas, vem se consolidando como uma importante alternativa de renda para diversas famílias na Bacia do Jacuípe. No entanto, a atividade tem enfrentado um problema crescente: o roubo de mel e, em alguns casos, também de colmeias, cera e equipamentos apícolas.

Produtores da região denunciam que os crimes têm se tornado cada vez mais frequentes, provocando não apenas prejuízos econômicos, mas também danos ambientais que colocam em risco a continuidade da atividade.

Fonte: www.iannoticias.com.br

Casos se espalham por vários municípios

De acordo com relatos de apicultores, furtos foram registrados nos últimos meses nos municípios de Serrolândia, Várzea do Poço, Capim Grosso, Quixabeira, São José do Jacuípe e Gavião.

Ao todo, já são pelo menos 23 ocorrências, número que pode ser ainda maior devido à subnotificação.

  • Quixabeira lidera os registros, com 8 casos
  • São José do Jacuípe tem 6 ocorrências
  • Capim Grosso soma 4 registros

Os produtores afirmam que os criminosos demonstram conhecimento da atividade, utilizando equipamentos e técnicas específicas, além de saberem a localização dos apiários.

“Só pode ser gente que conhece. Mexeram nas minhas caixas a menos de 200 metros da minha casa”, relatou um apicultor.

“Além de roubarem, ainda colocaram fogo nas caixas. Tive dois prejuízos”, contou outro produtor.

“Aqui mataram as abelhas com veneno. Tinha um pó branco na entrada das caixas. Acho que mataram para pegar o mel”, denunciou um terceiro.

Risco à saúde e crime ambiental

Além do furto, os produtores relatam que o mel é retirado de forma inadequada, com uso de fumaça imprópria e até produtos químicos. A prática, além de matar as colônias, representa grave risco à saúde do consumidor, já que o produto pode ficar contaminado.

Especialistas alertam que a destruição das colmeias também configura crime ambiental, pois as abelhas são fundamentais para a polinização e o equilíbrio do ecossistema.

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Suspeita de comércio interestadual

Durante a apuração, surgiram informações de que o mel furtado estaria sendo enviado para outras regiões e até para estados como Rio de Janeiro e São Paulo.

Municípios com rotas frequentes de transporte interestadual, como Capim Grosso e Capela do Alto Alegre, podem estar sendo utilizados como pontos de circulação desses produtos.

Crimes podem resultar em prisão

Autoridades destacam que os casos não se resumem a prejuízo financeiro. As práticas podem se enquadrar em diversos crimes previstos na legislação brasileira, como:

  • Invasão de propriedade rural
  • Furto qualificado
  • Dano material
  • Crime ambiental (pela morte das abelhas)
  • Receptação, no caso de quem compra ou revende o mel roubado

As penas podem chegar a até cinco anos de prisão, além de multas e obrigação de indenizar os produtores prejudicados.

“É extremamente importante que o produtor lesado registre a ocorrência. O boletim é fundamental para que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados”, alertam as autoridades.

Consumidores também devem ficar atentos

Apicultores fazem um alerta à população sobre a procedência do mel. Em ambiente natural, as abelhas produzem mel em períodos específicos e com volume limitado. A oferta frequente de grandes quantidades por supostos extrativistas deve levantar suspeitas.

Além da origem duvidosa, o produto pode oferecer riscos à saúde, incluindo intoxicação por produtos químicos e até botulismo infantil.

A orientação é clara: procure um apicultor de confiança e dê preferência a mel com certificação de origem.

Fonte: www.iannoticias.com.br